A
aprovação dos termos finais para a licitação da frequência destinada
ao 4G deve servir
como uma "convocação" às quatro principais operadoras de telecom do
país, segundo a agência de notícias Reuters. Ainda não se sabe os preços mínimos dos lotes de
frequência a 2,5 gigaherts, mas, Vivo, Claro, Tim e Oi só ficariam
de fora caso os valores forem muito elevados.
Desta
forma, analistas acreditam que Vivo e Claro provavelmente
deverão ser mais agressivas e brigarão pelos dois blocos maiores do espectro,
enquanto Oi e TIM devem ficar com dois dos blocos
menores. "Vemos Vivo e Claro como as
candidatas mais prováveis a vencer os blocos de 40 MHz (20+20 MHz), enquanto
TIM e Oi devem ficar com os menores (20 MHz, de 10+10 MHz)", escreveu em
nota o analista Alexandre Garcia, do Citibank.
Eduardo
Tude, presidente da consultoria Teleco, concorda. "Quem demonstrou mais
interesse foi a Claro, que pretende colocar o 4G na América Latina,
e a Vivo, que tem puxado o 3G no país", disse.
No
entanto, todas as companhias têm sido reticentes em demonstrar interesse
publicamente sobre o leilão do 4G, enquanto investidores e analistas observam o
setor com atenção em meio ao aumento de competitividade, que tem corroído as
margens das operadoras.
A
Oi disse apenas que está analisando os termos do edital, considerando que a
Anatel ainda precisa definir "pontos importantes", e, desta forma,
ainda não possui uma avaliação conclusiva sobre a atratividade do leilão.
Em
nota à imprensa na semana passada, a TIM considera que a chegada da tecnologia 4G no Brasil neste
momento é "prematura", já que o 3G ainda não atingiu seu potencial,
mas diz ter interesse em participar desde que os termos sejam competitivos.
Após a aprovação das regras finais pela Anatel, a empresa informou que ainda
não mudou este posicionamento.
Claro
não quis se pronunciar, enquanto a Vivo não respondeu
pedidos de comentários. Já a GVT informou à Reuters que, apesar dos planos
de entrar em telefonia móvel, não tem interesse no 4G neste momento, e a
Nextel afirmou que analisará as oportunidades com a publicação do edital.
João
Rezende, presidente da Anatel, afirmou que as operadoras que já estão no
mercado dificilmente deixarão de participar. O executivo ainda acredita que
pode haver interesse de competidores estrangeiros ou brasileiros que ainda não
atuam em telefonia móvel no país, algo que analistas consideram improvável.
"Não
esperamos que novos entrantes participem do leilão da [frequência] 2,5 GHz por
acreditarmos que as obrigações de cobertura e infraestrutura insuficiente
possam desencorajá-los", disse Diego Aragão, analista da corretora Flow,
em nota a clientes.
Investimentos
O
presidente da consultoria Teleco afirma que do ponto de vista das
operadoras, o 4G não
é uma necessidade imediata e, portanto, as companhias ainda precisam
desenvolver suas redes 3G e aumentar capacidade com HSPA+ (tecnologia avançada
de 3G).
Pelas
regras aprovadas pela Anatel, entre 2012 e 2014, 60 por cento dos investimentos
em aquisição de bens e produtos devem ser de tecnologia nacional e todas as
sedes da Copa do Mundo deverão ser atendidas a partir de dezembro de 2013, o
que analistas acreditam que deve encarecer o processo.
Assim,
os investimentos tanto em outorga quanto em equipamento devem ser elevados,
podendo prejudicar a margem das companhias no curto prazo -que já têm sido
afetadas por conta da forte concorrência, apesar do potencial de geração de
receita.
"Existe
o impacto inicial do investimento, mas há o ganho lá na frente (médio para
longo prazo) também", disse Zanfelicio, da Concórdia, acrescentando que
o 4G provavelmente será
um serviço mais caro.
Fonte: olhardigital

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